Fragmento de crônica de Rubem Braga.
A palavra
Tanto tenho falado, tanto tenho escrito - como não imaginar que, sem
querer, feri alguém¿ Às vezes sinto, numa pessoa que acabo de conhecer, uma
hostilidade surda, ou uma reticência de mágoa. Imprudente ofício é este, de
viver em voz alta.
Às vezes, também a gente tem
consolo de saber que alguma coisa que se disse por acaso ajudou alguém a se
reconciliar consigo mesmo ou com a sua vida de cada dia; a sonhar um pouco; a
sentir uma vontade de fazer alguma coisa boa.
Agora sei que outro dia disse
uma palavra que fez bem a alguém. Nunca saberei que palavra foi; deve ter sido
alguma frase espontânea e distraída que eu disse com naturalidade porque senti
no momento - e depois esqueci.
Alguma coisa que eu disse
distraído - talvez palavras de um poeta antigo, foi despertar melodias:
esquecidas dentro da alma de alguém. Foi como se a gente soubesse que de
repente, num reino muito distante, uma princesa muito triste tivesse
sorrido. E isso fizesse bem ao coração
do povo; iluminasse um pouco as suas pobres choupanas e suas remotas
esperanças.
1- No
primeiro parágrafo, diz o autor “imprudente ofício é este, de viver em voz
alta”. De o significado da expressão “viver em vóz alta”.
2- Na
frase “(...) deve ter sido alguma frase distraída que eu disse com naturalidade
porque senti no momento”, que características do ato da fala foram ressaltadas¿
Explique.
3- A
linguagem tem um papel fundamental de levar informação do emissor ao
destinatário. No entanto, o texto fala do outro “ poder” da palavra. Explique qual seria ele.
4- Quais
as principais características desse texto que garantem se tratar de uma crônica.
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