sábado, 4 de maio de 2013


Fragmento de crônica de Rubem Braga.

A palavra

Tanto tenho falado, tanto tenho escrito - como não imaginar que, sem querer, feri alguém¿ Às vezes sinto, numa pessoa que acabo de conhecer, uma hostilidade surda, ou uma reticência de mágoa. Imprudente ofício é este, de viver em voz alta.

                Às vezes, também a gente tem consolo de saber que alguma coisa que se disse por acaso ajudou alguém a se reconciliar consigo mesmo ou com a sua vida de cada dia; a sonhar um pouco; a sentir uma vontade de fazer alguma coisa boa.

                Agora sei que outro dia disse uma palavra que fez bem a alguém. Nunca saberei que palavra foi; deve ter sido alguma frase espontânea e distraída que eu disse com naturalidade porque senti no momento -  e depois esqueci.

                Alguma coisa que eu disse distraído - talvez palavras de um poeta antigo, foi despertar melodias: esquecidas dentro da alma de alguém. Foi como se a gente soubesse que de repente, num reino muito distante, uma princesa muito triste tivesse sorrido.  E isso fizesse bem ao coração do povo; iluminasse um pouco as suas pobres choupanas e suas remotas esperanças. 

1-      No primeiro parágrafo, diz o autor “imprudente ofício é este, de viver em voz alta”. De o significado da expressão “viver em vóz alta”.

2-      Na frase “(...) deve ter sido alguma frase distraída que eu disse com naturalidade porque senti no momento”, que características do ato da fala foram ressaltadas¿ Explique.

3-      A linguagem tem um papel fundamental de levar informação do emissor ao destinatário. No entanto, o texto fala do outro “ poder”  da palavra. Explique qual seria ele.

4-      Quais as principais características desse texto que garantem se tratar  de uma crônica.

 

 

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