sábado, 4 de maio de 2013

Resenha

Educ@ação: Resenha
EDUC@ação - Rev. Ped. - UNIPINHAL – Esp. Sto. do Pinhal – SP, v. 01, n. 03, jan./dez. 2005
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PRÁTICAS INTERDISCIPLINARES NA ESCOLA

Clementina Terezinha de Jesus Monfardini1
FAZENDA, Ivani Catarina Arantes (org.). Práticas Interdisciplinares na Escola. São



Paulo: Cortez, 1993

O Livro Práticas Interdisciplinares na Escola de Ivani Catarina Arantes



(Org.) apresenta uma coletânea de dezesseis textos de autores que estudaram,

durante um ano, questões teóricas de interdisciplinaridade que foram modificadas por

seus autores conforme o grupo considerou necessárias.

Os autores foram alunos dos cursos sobre Interdisciplinaridade;

Interdisciplinaridade e Prática Pedagógica; Currículo; Comunicação e Pesquisa; e

Epistemologia, ministrados na PUC São Paulo pela professora Ivani C. A. Fazenda

(coordenadora da obra).

Esses autores, apesar da insegurança percebida e vivida durante todo o

trabalho, produziram seus textos da forma mais subjetiva possível a partir de suas

práticas, com a coragem de falar sobre elas e ao mesmo tempo analisando-as sob o

paradigma teórico interdisciplinar que foi sendo construído com a própria prática.

Tiveram a oportunidade de viver e exercer a interdisciplinaridade coletiva na sala de

aula no curso que freqüentavam, exercitando-se nas práticas do aprender a aprender,

do aprender a ensinar e do aprender a estudar.

Ivani Fazenda apresenta dois textos constituídos por ela, produzidos para

outros eventos que foram lidos e discutidos pelo grupo. No primeiro capítulo, a obra

aborda o tema: Interdisciplinaridade: definição, projeto, pesquisa, estabelece as



relações entre um conhecimento interdisciplinar, enfatizando que os currículos

organizados pelas disciplinas levam o aluno ao acúmulo de informações. Ao contrário,

o pensar interdisciplinar tenta, através do diálogo com outras formas de

conhecimento, interpenetrar por elas. Considera importante o conhecimento do senso

comum que, ampliado através do diálogo com o conhecimento científico, adquire uma

dimensão libertadora, possibilitando enriquecimento da nossa relação com o outro e

com o mundo.

O importante para a autora é ter em mente que um projeto interdisciplinar não

é ensinado mas sim vivenciado; exige a responsabilidade individual e ao mesmo

tempo um envolvimento com o projeto propriamente dito, com as pessoas e com as

instituições que fazem parte desse projeto.

É essa prática do diálogo com outras áreas do conhecimento que nos leva às

relações e às conexões de idéias, fazendo-nos perceber, sentir e pensar de forma

interdisciplinar, exigindo a necessidade de transpor barreiras e a ousadia para inovar,

criar e principalmente passar da subjetividade para a intersubjetividade.

1 Docente do Curso de Pedagogia da Unipinhal



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No segundo capítulo: Ciência e Interdisciplinaridade, a autora Maria Elisa



de M. P.Ferreira aborda a visão holística de mundo como a constituinte da essência da

interdisciplinaridade. “Ser interdisciplinar é saber que o universo é um todo [...]”;

interdisciplinaridade é uma atitude, isto é, a externalização de uma visão holística de

mundo. Apresenta o significado do vocábulo física (physis) traduzido hoje por



natureza, que designa a ciência que tem servido de suporte às demais e, ao mesmo

tempo, o próprio fato da existência. A autora ainda mostra a distorção do significado

da palavra grega physis na civilização latina, onde passou a ser traduzida por natureza



(ente natural) fazendo nascer a metafísica, sendo a ciência multiplicada em filosofia,

arte, religião, seguindo caminhos opostos e uma visão fragmentada do mundo.

Hoje, a unidade e a totalidade do universo exigem o repensar da ciência

fragmentada e o significado de interdisciplinaridade, considerado o prefixo “inter”

como “troca” e disciplina “ciência”: daí o ato de troca, de reciprocidade entre as áreas

do conhecimento.

No terceiro capítulo: Interdisciplinaridade: uma tentativa de

compreensão do fenômeno – o autor Ismael Assumpção apresenta como objetivo a



necessidade de compreender a interdisciplinaridade em seus fundamentos, com a

intenção de analisá-la a partir dos seus elementos constitutivos. O termo pode ser

compreendido a partir de seu significado original, dando-nos a possibilidade de pensar

em trans-disciplinaridade, ou seja, no caráter dinâmico da interdisciplinaridade, na

ação unificadora do conhecimento que é resgatada na dialética homem-mundo.

No quarto capítulo: Aspectos da história desse livro, a autora Dirce



Encanación Tavares procura explicar como foi se formando o grupo de estudos

dedicado à interdisciplinaridade, composto por 22 membros provenientes de diferentes

localidades brasileiras, com profissões diversificadas, personalidades diferentes,

porém, com um único objetivo: querer pesquisar e trocar.

No quinto capítulo: Introduzindo a noção de interdisciplinaridade, de



Sandra Lúcia Ferreira. Para conceituar interdisciplinaridade, utiliza-se de uma

metáfora: o conhecimento é uma sinfonia. Para sua execução, muitos elementos

devem estar presentes como: os instrumentos, as partituras, os músicos, o maestro, o

ambiente, a platéia etc; o projeto é a execução da música; a participação de todos é

necessária para que a sinfonia aconteça; a integração é importante, mas não é

fundamental; para sua execução é preciso harmonia do maestro e a expectativa dos

que assistem.

A interdisciplinaridade tem a idéia norteada por eixos básicos: a interação, a

humildade, a totalidade, o respeito pelo outro e é também marcada pelo sentimento

de intenção consciente, clara, objetiva e não apenas pela interação de todos os

elementos do conhecimento.

Do capítulo sexto ao décimo terceiro, cada autor relata experiências educativas

interdisciplinares, procurando demonstrar que a prática interdisciplinar é um processo

construído coletivamente, embora cada um assuma a sua metodologia, conteúdos e

estratégias de aprendizagem.

O capítulo décimo quarto constitui outro texto apresentado pela autora, cujo

título é O trabalho docente como síntese interdisciplinar, apresentado no V



Encontro Nacional de Didática e Prática de Ensino, UFMG, Belo Horizonte em outubro

de 1989. Procura contradições que são enfrentadas no trabalho docente e como estas

têm determinado uma postura pedagógica que se encaminha de um prática empírica à

construção de uma prática reflexiva.

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No capítulo seguinte: O questionamento da interdisciplinaridade e a

produção do seu conhecimento na escola, a autora Regina Bochiniak se dispõe a



refletir sobre interdisciplinaridade como elemento indispensável para se repensar o

processo de educação na sociedade atual.

Considera que a bibliografia específica sobre interdisciplinaridade apesar de

incipiente e a citação da palavra interdisciplinaridade em produções científicas

recentes muito utilizada, deixará de ser citação exclusiva da área de educação .

No décimo sexto capítulo, com o título: Ubaiatu, “canoa das águas

aplaudentes”... um lugar para a interdisciplinaridade; surgem as ilustrações em



branco e preto que mostram o “Ubaiatu”, ou seja, um espaço-teatro, projeto que

permite o uso de um espaço para o movimento das partes durante o espetáculo

(espaço é o ato teatral e a platéia faz parte do cenário). A sua multiplicidade permite o

uso interdisciplinar do espaço e o teatro se transforma em sala de aula, laboratório,

espaço para projeções, concertos, observatório.

Os autores, em quase todos os textos, referem-se à obra de Fritijof Capra,

autor do livro “O ponto de Mutação”, que nos permite refletir sobre o exercício de um



novo paradigma, isto é, uma nova concepção de mundo, numa visão holística e numa

teia inseparável de relações e probabilidades de conexões.

Outros autores citados, como Paulo Freire, Moacyr Gadotti, Japiassu, Libâneo,

deram o embasamento teórico necessário para que o grupo, através de uma reflexão

epistemológica cuidadosa, tivesse a possibilidade de avanços, deixando de lado os

conhecimentos tradicionalmente sistematizados e organizados para que, transpondo

as barreiras da insegurança, ser capaz de ousar na busca, na pesquisa, na inovação,

na construção do projeto interdisciplinar.

Quanto ao conteúdo, os textos são contextualizados com depoimentos de

professores que deixam transparecer uma tendência pedagógica crítico-libertadora.

Questionam a realidade das relações do homem com a natureza e com os outros,

numa postura dialógica e inovadora, ousando na busca de novos encontros do fazer

educativo.

Os textos levam ainda ao questionamento e ao aprofundamento das reflexões

para que o educador compreenda melhor a sua prática em sala de aula, que não deve

ser olhada apenas disciplinarmente para não acarretar limitações que acabam

empobrecendo e fragilizando a evolução da escola atual.

Os textos não são longos, apresentando uma linguagem acessível, sendo

alguns enriquecidos com poemas e introduzidos com pensamentos de Bertold Brecht,

William Blake.

Destacam-se os dizeres da autora: “Perceber-se interdisciplinar é o primeiro

movimento em direção a um fazer interdisciplinar e a um pensar interdisciplinar”.

Baseando-se nessa maneira de pensar interdisciplinaridade, a autora de um

dos textos, Maria Elisa de M. P. Ferreira, fez a introdução através do poema:

“Perceber-se interdisciplinar”: “Perceber-se interdisciplinar é juntar esforços na

construção do mundo, Desintegrando-se no outro, para com ele, Reintegrar-se no

novo...” (pág. 11)

Em síntese, o livro pode ser usado no Ensino Superior, no Curso de Pedagogia,

pois aborda um tema complexo – a interdisciplinaridade, que exige ainda muito estudo

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e investigação. No entanto, cada autor procura conservar a linguagem simples e clara,

visando a uma rápida comunicação ao abordar as questões de interdisciplinaridade no

cotidiano escolar de forma mais compreensiva, deixando claro os seguintes princípios:

no trabalho interdisciplinar não é possível a justaposição de disciplinas, é mais intenso

do que a multidisciplinaridade ou a pluridisciplinaridade. É preciso uma postura

interdisciplinar, devendo existir imbricações dos diferentes campos do conhecimento.

No entanto, é imprescindível que o professor conheça o conceito de cada disciplina

envolvida, para que possa integrá-la.


Um comentário:

  1. Daiane...
    Muito bom o seu blog. Continuando trabalhando e melhorando.
    Bom trabalho.

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